"Sábias agudezas... refinamentos...- não! Nada disso encontrarás aqui.Um poema não é para te distraíres como com essas imagens mutantes de caleidoscópios. Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe. Um poema não é também quando paras no fim, porque um verdadeiro poema continua sempre...Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras."
Projecto de Prefácio, Mário Quintana
"Guerra de nervos de terra de classe de raça de ruínas de ferro de lacaios de insígnias de vento de vento de vento de linhas de ar, de mar, de foices de fronteiras, de desgraças que se enredam que nos enredam sob o pilar, sob o desprezo sob ontem, sob os destroços da estátua tombada sob enormes painéis com a palavra «veto» prisioneiros do esterco sob amanhã rins quebrados, sob amanhã sob amanhã milhões e milhões de homens entretanto entram na morte sem mesmo um grito milhões e milhões como uma perna gela o termómetro mas uma voz de extrema estridência… e conduzidos do Norte para o Sul milhões e milhões entram na morte.
Dormes, Lázaro? Morrem, Lázaro Eles morrem e não há mortalha não há Maria nem Marta muitas vezes nem há sequer o cadáver Como um louco ri abrindo uma ostra gritando eu pergunto pergunto insensatamente pergunto se pelo teu lado, Lázaro se pelo teu lado, agora alguma coisa aprendeste!"