"Sábias agudezas... refinamentos...- não! Nada disso encontrarás aqui.Um poema não é para te distraíres como com essas imagens mutantes de caleidoscópios. Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe. Um poema não é também quando paras no fim, porque um verdadeiro poema continua sempre...Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras."
Projecto de Prefácio, Mário Quintana
"Os poemas podem ser desolados como uma carta devolvida, por abrir. E podem ser o contrário disso. A sua verdadeira consequência raramente nos é revelada. Quando, a meio de uma tarde indistinta, ou então à noite, depois dos trabalhos do dia, a poesia acomete o pensamento, nós ficamos de repente mais separados das coisas, mais sozinhos com as nossas obsessões. E não sabemos quem poderá acolher-nos nessa estranha, intranquila condição. Haverá quem nos diga, no fim de tudo: eu conheço-te e senti a tua falta? Não sabemos. Mas escrevemos, ainda assim. Regressamos a essa solidão com que esperamos merecer, imagine-se, a companhia de outra solidão. Escrevemos, regressamos. Não há outro caminho."